Intolerância ao bate-estaca

Sofro de intolerância a música eletrônica: ela me causa uma alteração negativa no ritmo cardíaco, desorganiza as sinapses e eleva o nível de cortisol. Por isso, não ouço, e fujo de onde estiver tocando. O mais próximo de eletrônico que chego é Philip Glass, que nem é. Há exceções: algumas coisas de Kraftwerk e até o kitsch JM Jarre são ouvidas com prazer.

Mas não posso impor minhas preferências para todos, e resolvi, em nome da ciência, fazer uma experiência com a Matilda. Ela estava deitadona na gaiola, com a porta aberta, pensando num campo coberto de cenouras, quando troquei a MPB calminha que tocava no ambiente por um eletrônico básico, do tipo que (quase) todo mundo gosta. Na primeira batida de Chemical Brothers, ela tomou um susto, levantou as orelhas e ficou em alerta. Na segunda batida, saiu em disparada e se escondeu em algum lugar. Só reapareceu quando voltou a tocar MPB calminha: Luiz Tatit, Estrela Ruiz, Zeca Baleiro. Aí ela voltou a pensar no seu campo de cenouras, numas boas. Eu também.

Publicado por

Roberto Moreno

Pacifista, anarquista, humanista, libertário, ateu, geek, nerd, sedentário, baixinho e barrigudo

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