Um homem bom vai morrer
José Alberto Mujica Cordano, um pequeno agricultor que, por quatro anos, ocupou a presidência de seu país, convocou uma entrevista coletiva para se despedir de seus entes queridos – o povo do Uruguai.
Mujica enfrenta um câncer de esôfago que se espalhou pelo organismo e chegou ao fígado, um dos órgãos mais sensíveis à doença.
Mujica vai morrer em breve.
Ele disse que é um velho e que sofre de outras doenças, portanto seu corpo não aguentaria mais tratamentos ou cirurgias.
Mujica é um homem bom. É um ser humano dedicado a cuidar dos outros seres humanos. Tudo o que ele faz é em benefício da humanidade, desde cultivar flores até ser um líder mundial. Suas palavras são ensinamentos que deveriam ser seguidos por todos.
Mujica vai fazer falta, especialmente em tempos de Trumps e Bolsonaros.
Mujica é o homem que o filósofo Diógenes de Sínope procurava com sua lanterna.
Curiosidades: há alguns anos, fomos, eu e a Rô, ao Uruguai, de carro. Um dia, resolvemos conhecer a chácara de Mujica. Achar o local onde ele mora com Lúcia Topolansky, planta flores e construiu uma escola foi tarefa fácil com a ajuda do Google Maps. Chegando lá, porém, não nos deixaram seguir pela estradinha de terra que leva à chácara. O caminho era vigiado pelo exército e pela Polícia Federal. Um agente, simpático, perguntou o que queríamos e, sem coragem de dizer que estávamos apenas tietando o velho revolucionário, mentimos e dissemos que éramos turistas perdidos. Ele nos orientou a voltar, e perdemos a chance de ver don Pepe pessoalmente.
Dias antes, havíamos assistido a um filme sobre ele num cinema de Montevidéu, retratando os anos em que esteve preso pela ditadura militar. Quando saímos, nos demos conta de que o cinema fora construído no lugar onde havia a cadeia em que Mujica esteve preso. Coincidência de peso, já que o filme era exibido em todas as salas de cinema do país.


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