Envenenadora de bolo não deveria ter sido presa

Bolo de morango

A prisão e o consequente suicídio de Deise Moura dos Anjos, moça que envenenou a família com um bolo no Rio Grande do Sul, foram uma grande perda para a ciência.

Ela deveria ter sido estudada minuciosamente para que se entendesse o mecanismo mental que a levou a cometer o ato contra nove pessoas próximas, quatro mortes, e mais ainda sobre o possível arrependimento que a levou a se enforcar.

Deise teve tempo de sobra para conseguir o veneno e preparar o bolo, sabendo que afetaria um grande número de pessoas da família de seu marido. Digamos que um bolo leve duas horas para ficar pronto. Um surto de raiva, por exemplo, seria superado nesse tempo e ela teria mudado de ideia se tivesse uma mente típica.

O fato não foi um crime, foi uma crise. Certamente ela era portadora de algum distúrbio grave e, provavelmente, já havia dado sinais do que faria. Sua prisão impediu que psiquiatras e psicólogos a analisassem e, quem sabe, descobrissem um distúrbio raro, evitando que fatos assim voltassem a acontecer no futuro. Deise recebeu atendimentos psicológicos de rotina na penitenciária, ou seja, exames superficiais. Ela deveria ter sido internada numa clínica especializada e ser monitorada 24 horas, submetida a testes e exames de imagem cerebral.

Geralmente, sou contra a pena de prisão, mas nesse caso, acho que foi uma tremenda burrada da Justiça. Acredito que, no futuro, pelo menos metade do que hoje é considerado crime será classificado como desvio mental e, dessa forma, os responsáveis serão encaminhados a hospitais psiquiátricos não para cumprir pena, mas para passar por tratamento e voltar mais rapidamente para a sociedade.

Deise deixou um recado dizendo que estava em depressão.

Não era só depressão.

Publicar comentário