Símbolo nacional
Diego, patriota aguerrido, queria porque queria botar o nome em pelo menos um filho de um símbolo nacional.
O primeiro nasceu dez meses depois do casamento, e lá foi ele para o cartório.
– Qual vai ser o nome?
– Hino Nacional.
– Não pode, escolhe outro.
– Por que não pode?
– Não é nome. Vai causar constrangimento pra criança.
– Mas eu vim certo de colocar Hino Nacional da Paz.
– Não pode. Bota Edson, em homenagem ao Pelé, maior ídolo nacional.
– Não pode mesmo?
– Não pode.
– Então, tudo bem, põe Edson.
Um ano depois, volta Diego da Paz ao cartório, depois de nascer uma menina.
– Qual vai ser o nome?
– Bandeira Brasileira da Paz.
– Não pode.
– Como não pode? A filha é minha e da mãe dela, e os dois queremos que se chame Bandeira Brasileira.
– Não pode. Que tal Bethânia, nome de uma grande cantora?
– Não pode mesmo? Então escreve Bethânia da Paz.
Um ano e meio depois, está o Diego na porta do cartório.
– Selo Nacional.
– Não pode. Que tal Ayrton, em homenagem ao Senna?
– Tá bom. Ayrton da Paz.
Mais dois anos, e lá vai o Sr. Almeida registrar outro filho.
– Armas Nacionais.
– Menina?
– Menina.
– Não pode. Já pensou em Isabel, a grande princesa do Brasil?
– Tá certo, vai Isabel, respondeu, resignado.
Até que chegou a hora. Desta vez não falharia: seu quinto filho teria como nome um símbolo brasileiro. Assim que o menino nasceu, Diego foi ao cartório com o nome escrito num papelzinho. Chegou lá e entregou o papel para o escrivão:
– Esse nome pode?
– Pode! É um bonito nome.
E assim, o caçula foi registrado com o nome de um símbolo nacional. Em casa, ergueu o bebê nos braços e bradou:
– Salve, salve símbolo Augusto da Paz!



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