Despertador de Lula

Lula preso

Aconteceu na época em que Lula estava preso.

Lula obteve autorização para deixar a carceragem da PF no Paraná e vir um dia a São Paulo para um evento do partido.

Havia gente que não acabava mais querendo ver o ex-presidente, então presidiário, chegar perto dele para uma selfie, ao menos conseguir um aceno.

E eu fui escalado para participar da segurança do evento. Sim, eu trabalhava numa empresa de segurança. Naquele dia, porém, estaria de folga, e já havia me programado para ir a uma festinha de amigos. Pois me rendi ao trabalho e fui proteger Lula de seus simpatizantes, ou seja, protegê-lo dele mesmo.

Depois do almoço, Lula quis dormir um pouco, mas não havia local adequado no recinto. Coube a mim improvisar um quarto e levá-lo para lá, atravessando a multidão. Essa cena me lembrou o dia de sua prisão, quando a turba não queria deixar seu carro sair da sede do sindicato.

Depois de tudo arrumado, deixei Lula no quarto, orientei que trancasse a porta e não a abrisse para ninguém. Saindo, passei por Adriano Diogo, que na certa chamaria à porta e seria atendido, entrando no escritório transformado em dormitório.

Mas minha missão estava cumprida e fui para a festinha dos amigos. Chegando lá, não passou nem meia hora e tocou o telefone. A dona da casa atendeu e respondeu “Quem? Não é trote?” e me chamou: “É pra você. Está dizendo que é o Lula”.

Atendi, sob os olhares atentos dos amigos. “Roberto, preciso pegar um avião às 18h, mas vou dormir e não sei se acordo a tempo. Você pode me chamar às 16h, por favor?” “Claro, presidente. Pode deixar. Eu ligo faltando cinco para as quatro” “Obrigado, companheiro. Fique com Deus”. “Bom sono, presidente”.

Ao meu lado, ninguém comentou nada, e todos se afastaram de mansinho.

E acordei hoje, depois das 11h, sem saber se tinha mesmo interagido com Lula ou se foi apenas um sonho.

Publicar comentário